A recente decisão da série Pluribus de estampar o selo “Feito por Humanos” em seus créditos não é apenas um posicionamento ético, mas um lembrete vital sobre a essência da criação. Quando transpomos essa discussão para o backstage da fotografia de gastronomia, por exemplo, a diferença entre a técnica fria e a emoção palpável torna-se ainda mais evidente. O mesmo podemos ver na cena em Matrix, onde Cypher experimenta um pedaço de carne, mas questiona o falso sabor. Uma inteligência artificial pode simular o brilho perfeito de um molho ou a textura de um pão artesanal, mas ela jamais saberá o peso da tradição de uma receita ou a dedicação do chef que passou horas equilibrando temperos. Na fotografia de comida, o que nos faz salivar não é a perfeição simétrica do pixel, mas a capacidade humana de capturar a verdade do ingrediente, a temperatura do prato e a alma do momento.
Dentro de programas como Photoshop, Lightroom e Premiere Pro a IA já se tornou parte da ferramenta definitiva de auxílio nos processos. Utilizo o Gemini há mais de um ano e tenho diversos assistentes especialistas em várias áreas do meu negócio e até mesmo na vida pessoal, como agendamento e escolha de médicos. A inteligência artificial entra em cena não como a autora da obra, mas como a assistente técnica definitiva, permitindo que o profissional foque exclusivamente na narrativa visual. Ela nos auxilia a organizar o fluxo de trabalho, agindo como um copiloto de processos. No entanto, a decisão final de mover uma folha de manjericão com a pinça ou de esperar o exato segundo em que o vapor da comida se torna visível é uma escolha de sensibilidade que pertence apenas às pessoas reais. É essa união entre a precisão tecnológica e a intenção humana que transforma uma simples imagem de alimento em uma peça capaz de despertar desejos e memórias afetivas.
O futuro da produção de conteúdo não reside na substituição do artista pela máquina, mas na reafirmação de que o olhar humano é o componente insubstituível para resultados que realmente conectam. Ao valorizarmos o “Feito por Humanos”, celebramos a imperfeição que traz vida, a paixão que transborda pelo visor da câmera e a história que nenhum algoritmo é capaz de sentir. Na mesa, assim como na arte, o ingrediente secreto continuará sendo, invariavelmente, humano.
1. Série Pluribus (Gaules/Tribo): Referência ao uso do selo de certificação humana em produções audiovisuais de 2025.
2. Manifesto “Created by Humans”: Movimento global focado na transparência do uso de IA como ferramenta de suporte, não de autoria.
3. Zeki, S. (1999) – Journal of Neuroaesthetics: Estudo sobre como a percepção da intenção humana na arte altera a resposta emocional do cérebro.

